
No âmbito dos Jardins Efémeros, foi-me feito o convite para conceber uma instalação para a Funerária D. Duarte.
Na primeira visita, o espaço intimidou, por toda a carga simbólica que lhe está associada, mas também pelo próprio espaço físico com todos os elementos que compõem a cerimónia que encerra um capítulo, uma vida.
Desde então, quis que a instalação fosse sendo construída até ao dia da montagem. Passo a passo. Os dois meses seguintes fizeram-se de várias etapas e todos os dias o trabalho feito era também uma forma de prestar o meu respeito sobre e para quem o fazia.
Formalmente optei pelos caleidociclos, círculos tridimensionais formados por tetraedros que por sua vez são formados por triângulos equiláteros. Estes sólidos podem ser girados infinitamente, mostrando sempre um lado/forma diferente, ciclo contínuo que em muito se assemelha à vida. Estas formas geométricas são a base da instalação.
E por querer falar mais da vida que da morte, pedi a pessoas amigas e conhecidas para partilharem pedaços da vida de alguém que os deixou: um conselho, uma frase, um conto que os lembra, uma fotografia. São esses os legados que estão inscritos nos caleidociclos, estendidos no gesto primordial da partilha e aqui expostos para imortalizar quem os inspirou.
A quem o desejar, pode partilhar o também o seu legado, deixando-o aqui como comentário, identificado ou não.
Ana Seia de Matos

